O Burnout dos empreendedores que "venceram no digital"
O que eu aprendi depois de quase perder o prazer pelo trabalho
Durante muito tempo, achei que “vencer no digital” era sinônimo de ter muitos projetos rodando, faturamento crescente e aquela rotina cheia de tarefas que não cabiam em um só “Google agenda”.
E, de certo modo, consegui isso.
Entrei de cabeça em inúmeros projetos por não saber falar não, fazia networking com qualquer um, comecei a cobrar qualquer preço pelos meus serviços por achar que era assim que se ganhava dinheiro.
Por sempre ter medo do amanhã, acabei vendendo meu hoje mais barato.
Basicamente consegui ter muitos clientes, muitos parceiros de negócio e muita coisa no ar.
Mas também consegui algo que ninguém posta por aí: o esgotamento total. Esse foi o preço que paguei por tentar abraçar o mundo e mostrar que “venci”.
O peso de manter a máquina rodando
No auge da correria, eu acordava com a sensação de estar sempre atrasado, mesmo depois de trabalhar até tarde de madrugada.
A mente nunca desligava. Comecei a até mesmo ter problemas na relação com a minha esposa por nunca falar de outra coisa, a não ser trabalho.
Até mesmo nas nossas horas mais íntimas, o pensamento de estar atrasado, perdido, insatisfeito, era enorme.
Foi nesse ritmo que percebi uma coisa simples e completamente idiota que qualquer um de fora já teria percebido:
Eu estava lutando para manter um negócio que já não me fazia bem.
Se é que posso chamar isso de “negócio”… Era um emaranhado de produtos, serviços, parcerias, que nem faziam sentido. Essas coisas nem se ligavam…
E depois disso, percebi que o resultado parou de me dar qualquer satisfação…
Quando o sucesso perde o gosto
Existe uma linha tênue entre ser comprometido e ser consumido pelo próprio trabalho.
Comprometimento é quando nos dedicamos ao máximo em sermos bons naquilo que fazemos. Enquanto ser consumido é quando somos bons demais em fazer somente o máximo.
Enfim, eu estava sendo devorado pelas coisas que eu havia construído.
Foi nesse ponto que precisei reaprender a trabalhar.
Mandei a maioria dos clientes e parceiros embora.
Decidi recomeçar…
Desacelerar não foi fácil.
No começo, parecia que eu estava “andando pra trás”.
Mas com o tempo, percebi que a pausa é o que mantém o movimento saudável.
Foi recomeçando que decidi focar mais em mim mesmo e naquilo que gosto de fazer: Criar.
Ajudar outros empreendedores a criarem suas ofertas
Criar sistemas de vendas na internet
Olhar de forma estratégica e criar soluções pra outros negócios
Parei de vender qualquer coisa a qualquer preço.
Parei de atender qualquer um que só quer tirar da minha boa vontade.
A chave para desacelerar, sair dessa corrida maluca, foi simplesmente voltar a fazer única e exclusivamente aquilo que eu gostava de fazer, e havia parado com por achar que o dinheiro era tudo.
E, adivinhem? Hoje tiro muito mais lucro fazendo o que eu amo, do que eu faturava anteriormente fazendo o que eu detestava…
O que aprendi nesse processo
Resumindo o que eu aprendi…
Estabeleça limites
Estabeleça um limite de horas trabalhadas. É engraçado como muitos empreendedores digitais se gabam de não “trabalharem para os outros”, mas muitas vezes trabalham o triplo para si mesmos em algo que dá menos prazer e retorno. Como diria meu pai, “A gente morre e o serviço fica aí”.
Tire tempo para descansar a mente
Vá jogar algum videogame, ler algum livro, sair com sua mulher / marido… Tenha também espaço para a sua mente descansar. É nesse descanso que vêm as melhores ideias.
Nem todo crescimento é positivo
Muitas vezes, crescer significa complicar. E, pra você, simplificar será o verdadeiro progresso.
Prazer e lucro não são lados opostos
Quando o trabalho volta a fazer sentido, o resultado financeiro vem como consequência, não como castigo.
O que quero te lembrar
Se você sente que está “vencendo”, mas está cansado demais pra comemorar, talvez seja hora de redefinir o que vitória significa pra você.
O digital promete liberdade, mas às vezes a gente acaba trocando um chefe por mil notificações.
E a real liberdade pode estar em fazer menos, com mais presença.
Hoje, busco um jeito mais leve de empreender
Um que me dê tempo pra viver e prazer pra continuar criando.
Porque, no fim, vencer não é sobre trabalhar mais.
É sobre continuar gostando do que faz e sendo bem pago por isso.
Este foi meu primeiro texto aqui no Substack
Se você tiver gostado, por favor, deixe um comentário falando o que achou e como eu poderia melhorar :)
Um abraço,
João
Manual do Sossego Digital



Tive muito esse sentimento na época que eu ero overemployed, eu trabalhava em 3 empregos e ainda tinha meus projetos paralelos. Ganhava muito bem, mas tinha tempo e paciência pra nada, vivia ansioso. Agora eu paro e olho pra trás e vejo como as coisas mudam, o mundo e nos mesmos.